03 de julho • 2026
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Teatro organizado por estudantes de Psicologia discute violência contra a mulher

 

Machismo, masculinidade tóxica, relacionamentos abusivos e feminicídio foram alguns dos temas abordados no “Teatro das Emoções”, apresentação realizada na noite da última quarta-feira (1º), no auditório do Campus Saguaçu da Faculdade IELUSC. Organizado pelos acadêmicos da 1ª fase do curso de Psicologia, o evento foi aberto ao público.

A atividade integrou a disciplina de Processos Básicos em Psicologia, ministrada pela professora Ma. Tatiane Santana Prado Ferraresi, e utilizou o teatro como ferramenta pedagógica para o estudo das emoções humanas e suas relações com os processos psíquicos e sociais.

Para a docente, a proposta busca aproximar conceitos da Psicologia das vivências cotidianas das pessoas. “O tema foi escolhido com base nas demandas da atualidade e nos interesses trazidos pelos próprios alunos”, explica.

Toda a turma participou da organização da apresentação, assumindo funções como roteiro, atuação, maquiagem, figurino, iluminação e divulgação, proporcionando uma experiência coletiva de aprendizagem e construção artística.

Estudantes da 1ª fase do curso de Psicologia da Faculdade IELUSC apresentam o Teatro das Emoções abordando a violência contra a mulher.

Dividido em três esquetes e um monólogo, o espetáculo teve como tema central a violência contra a mulher, evidenciando como situações cotidianas e frequentemente naturalizadas podem evoluir para diferentes formas de violência e culminar em desfechos trágicos, como o feminicídio.

A primeira cena retratou uma conversa entre amigas, evidenciando como comportamentos machistas são reproduzidos e normalizados no cotidiano. Em seguida, outra esquete abordou, a partir do diálogo entre jovens, questões relacionadas à masculinidade tóxica — conjunto de “normas” culturais e enraizadas na sociedade que pressionam os homens a reprimirem suas emoções, a serem agressivos, dominadores e a rejeitarem qualquer traço considerado “feminino”. Já na terceira apresentação, um casal protagonizou uma relação marcada por comportamentos abusivos que evoluem para a violência extrema. O encerramento aconteceu por meio de um monólogo emocionante baseado em uma experiência real.

Segundo a acadêmica Ana Júlia Petri, responsável por auxiliar na construção do roteiro, o principal objetivo da apresentação foi ampliar a reflexão sobre as diversas formas de violência que antecedem o feminicídio. “O nosso intuito é mostrar que o feminicídio não é um ato isolado, mas sim tudo o que acontece antes, como a violência verbal, a privação e alguns comportamentos e falas normalizados em sociedade”, afirma.

Além de provocar reflexões, a apresentação também reforçou a importância da rede de apoio, da busca por ajuda profissional e do reconhecimento dos sinais de uma relação abusiva como caminhos para romper o ciclo da violência.

O momento mais emocionante da noite aconteceu durante o monólogo apresentado pela acadêmica Rose Hardt, que compartilhou sua própria trajetória em um relacionamento abusivo e o processo de reconstrução de sua vida e de seus vínculos familiares.

Atualmente casada e vivendo uma realidade diferente, Rose destaca que contar o seu relato também representa uma forma de assumir o protagonismo da própria história. “É pesado [contar essa história]. Eu revivo muitas memórias dolorosas, mas também enxergo como uma oportunidade de ressignificar tudo o que passei”, relata.

Atividades como o Teatro das Emoções reforçam o compromisso do IELUSC com a formação de profissionais críticos, humanizados e socialmente responsáveis, preparados para compreender e atuar diante dos desafios e das questões que atravessam a sociedade contemporânea.

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